BF Social

Por onde andam nossas crianças?

“COM O APOIO DAS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS MANTIDAS PELO PRESIDENTE DE HONRA DA BEIJA-FLOR, COMO A CRECHE JULIA ABRÃO E O EDUCANDÁRIO ABRÃO DAVID, HOMENS E MULHERES DE BEM CONSEGUIRAM CONSTRUIR UM FUTURO MUITO MELHOR QUE SEU PASSADO”

Em um passado não muito distante, a Baixada Fluminense convivia diuturnamente com o descaso do governo do Estado e da União. As consequências dessa falta de presença do poder público gerou um ciclo que impediu que os municípios daquela área se desenvolvessem de forma mais intensa, limitando-os a um crescimento mínimo, insuficiente para as grandes demandas que a região e a sua população exigiam. Nessa época, a luz na escuridão vinha através de ações generosas de empresários da região, pessoas sensíveis que conheciam bem os desafios que o cidadão da baixada tinha que enfrentar para conquistar seu lugar ao sol. Anísio Abrão David foi um desses homens, e com seu comprometimento social, pôde ajudar muita gente a driblar aquela dura realidade através dos estudos – e estudos de muita qualidade.

Com o apoio das instituições educacionais mantidas pelo presidente de honra da Beija-Flor, como a Creche Julia Abrão e o Educandário Abrão David, homens e mulheres de bem conseguiram construir um futuro muito melhor que seu passado.

Se o que se esperava de um morador da Baixada Fluminense era o pé preso ao chão, as histórias de Andréia e Ana Maria Quintanilha, Rosa Malena, Flávio Ferreira, Daniel Apolinário e Renato Pleno Ferreira, ex-alunos da Creche e do Educandário, nos mostram que com o olhar voltado para as estrelas, um sonho verdadeiro e uma mão amiga, o céu é o limite.
Por essa razão, a revista Beija-Flor de Nilópolis decidiu organizar um encontro especial, entre alguns dos alunos da creche e do Educandário, anos depois de terem estudado nas instituições mantidas por Anísio, para participarem de um emocionante café da manhã na Creche Julia Abrão, no qual puderam lembrar um pouco desses importantes capítulos de suas histórias de vida.

Depoimentos ex-alunos

“Sou Andréia Iara Quintanilha de Oliveira. Vim para a Creche com um ano, estudei no Educandário, depois fui para o ensino médio e fiz faculdade. Me formei em ciências contáveis, em 2005. Trabalho no lar Fabiano de Cristo, que também é uma empresa filantrópica, atende crianças, idosos no Brasil todo. Eu trabalho na sede, no centro do Rio, na parte contável da empresa. Me sinto muito realizada e agradecida por todo esse trabalho feito pelo seu Anísio”.

“Eu sou Ana Maria Quintanila de Oliveira. Entrei aqui com seis meses em um momento desesperador para a vida da minha mãe, que tinha que tomar conta de mim e da minha irmã e ainda precisava trabalhar. Da Creche fui para o Educandário. Eu e minha irmã participamos da inauguração do Educandário, foi uma festa grande, o Joãozinho Trinta veio, tinha muita gente. Saindo daqui, eu fiz ensino médio e depois entrei para a faculdade de contabilidade, com minha irmã, nos formamos juntas. Não foi fácil. Foi muita luta. Hoje eu trabalho no setor tributário na Supergasbrás, que é uma multinacional holandesa. Atenderemos o Brasil todo. Estou fazendo minha pós-graduação. É sempre bom se especializar. E essa consciência que eu tenho vem desde os tempos que estudava aqui, porque exigiam muito de nós nos estudos, a média sempre foi alta. Isso me deu muita estrutura para que eu seguisse minha vida acadêmica”.

“Meu nome é Rosa Malena Pleno Ferreira. Vim para cá com cinco anos. Eu peguei a Creche ainda lá no centro de Nilópolis, aí quando a Creche veio para cá, meus irmãos vieram comigo. Quando deu a idade de sair, aos sete anos, fui estudar em uma escola perto da minha casa. Minha prima me deixava em casa, eu almoçava e ficava sozinha. Minha mãe pediu para tia Lourdes (diretora da creche) me deixar aqui meio período. Eu ficava ajudando as tias, eu gostava de ajudar. Eu queria lavar as panelas maiores. Era um orgulho (risos). Era uma forma de ajudar. Cuidava das crianças menores. A tia Lourdes sabia que eu queria ser professora e então me colocou para dar aula para as crianças pequenas. Fiquei dois anos fazendo isso. Quando fui para o ensino médio, tive que fazer estágio, então foi minha despedida da Creche. Senti muita falta. Me formei professora, depois fiz faculdade de pedagogia. Hoje, eu sou professora no município de Mesquita e tenho uma matricula como supervisora escolar. Sempre lembro da tia Lourdes quando tenho que tomar alguma medida especial nessa área. É um exemplo. Aqui na Creche e no Educandário, tudo serve de exemplo”.

“Me chamo Flávio Ferreira Alves, tenho 36 anos. Estudei aqui na Creche, sai no limite máximo, terminei meus estudos na Nilo Peçanha (não existia Educandário, na época). Mesmo morando em Mesquita minha vida sempre foi aqui em Nilópolis. Aqui eu descobri que queria fazer faculdade. Corri atrás. Estudei gestão ambiental, me formei em quatro anos, sem reprovar nada. Hoje sou gerente de novos negócios de uma empresa chamada CSN, cuidamos do licenciamento ambiental de empresas poluidoras. Trabalho bastante e tenho uma boa vida, mas não esqueço que tudo começou aqui. Acredito que já nascemos com nosso caráter, mas o meu, certamente, foi moldado para melhor aqui na Creche”.

“Sou Daniel Elias Apolinário, estudei aqui de quinta a oitava série. Fiz parte da primeira oitava que se formou aqui. Como não tinha ensino médio aqui, eu tive a oportunidade de estudar na escola técnica de química, na época eles chamaram os melhores alunos das oitavas séries, e eu fui chamado. Me formei técnico em química, mas não cheguei a exercer a profissão. Passei para a Universidade Federal Fluminense (UFF), me graduei em engenharia química com muito sufoco, morando em Nilópolis e estudando em Niterói. Fiz uma especialização na área de petróleo e hoje trabalho para a empresa que é a primeira do mundo na área de exploração, parceira da Petrobrás. Me sinto muito agradecido e realizado por tudo o que vivi, e muita coisa começou aqui, no Educandário”.

“Eu me chamo Renato Pleno Ferreira – irmão de Rosa Malena. Vim para cá com cinco meses e minha mãe me conta que eu tinha um problema de alergia que precisava tomar um leite especial, importado, que o seu Anísio trazia do exterior para mim e para outras crianças do Rio de Janeiro. Eu aprontei muito aqui na Creche, era bem levado. Hoje eu atuo como designer gráfico. Mesmo sendo crianças muito novas aqui, é o momento onde escolhemos o que vamos ser e eu me identifiquei com a área de comunicação. Mas eu era muito levado e fui reprovado. Aí minha mãe me colocou em outra escola, como castigo, e lá me interessei por teatro, que é minha outra formação: licenciatura em teatro. Tenho uma empresa de comunicação. Tenho muito orgulho de tudo o que vivi e aprendi aqui. Aqui, acima de tudo, adquiri disciplina. Que levo sempre para minha vida. Minha família deve muito a essa família, porque isso aqui é uma família”.
OBRAS SOCIAIS

EM UM TRABALHO ASSISTENCIALISTA, A BEIJA-FLOR ACOMPANHA COM MUITO CARINHO CRIANÇAS DESDE A PRIMEIRA INFÂNCIA ATÉ A FASE ADULTA. COMO RESPOSTA GANHA UM MUNICÍPIO MELHOR, COM MORADORES MAIS PREPARADOS E FELIZES.

Retrospectiva das obras sociais da Beija-Flor
A ideia de responsabilidade social praticada por empresas no Brasil ganhou força nos últimos dez anos. Com isso, de certa forma, tornou-se comum grandes marcas praticarem ações que visam ajudar pessoas financeiramente menos favorecidas. Entretanto, esse tipo de atitude já era tomada pela Beija-Flor há pelo menos três décadas. Em todo esse tempo de dedicação, Anizio criou uma creche, um uma escola, um centro preparatório para o mercado de trabalho e muitas outras ações sociais. Isso só prova que a escola de Nilópolis é (e sempre foi) um bom modelo a ser seguido.