Carnavais

“MACAPABA EQUINÓCIO SOLAR VIAGENS FANTÁSTICAS AO MEIO DO MUNDO”

JUSTIFICATIVA:

Viagem e sonho, realidade e fantasia; porções que juntam na receita de um carnaval. Viajar na história real, misturando ilusão e magia, é traçar a linha imaginária que tece o enredo, recheando de arte e poesia, para enfeitar a festa do povo.

A brasilidade, é o tempero que atrai, como aroma de algo familiar e a pitada do desconhecido nos desperta a fome do saber.

“Macapaba”, que na língua indígena quer dizer concentração de “bacabas” ou “bacabeiras”, uma palmeira nativa da Amazônia, de onde deriva o nome Macapá, a capital do Estado do Amapá (nome de outra planta), cenário onde se desenrola a nossa história.

A região é também conhecida como ‘meio do mundo’, por ser cortada pela Linha do Equador, o Marco Zero divisor dos hemisférios Norte e Sul.

Macapá é o palco onde ocorre o fenômeno do equinócio, quando, em dois períodos do ano – no Outono e na Primavera – o Sol se posiciona à 90 º dessa linha divisória, iluminando por igual os dois hemisférios, fazendo com que os dias e as noites tenham a mesma duração de 12 horas.

Fantástica é a obra do destino, que nos levou à esta cidade que completa 250 anos no dia 4 de fevereiro, dia de carnaval. E os raios do Sol nos guiaram para essa região mágica, de muita beleza, riqueza e de história, muita história pra contar.

Desde a formação de nosso povo, há muitos milênios atrás, à visitação de povos antigos, navegantes e desbravadores, em busca de mitológicos ‘Eldorados’ e a saga pela expansão e demarcação do nosso território.

Terra por muitas terras cobiçada, porta de entrada para a exuberância, encanto e riqueza da Amazônia; é um paraíso preservado, que abriga em suas matas, uma grande diversidade ecológica. Em sua rica fauna, espécies incomuns e, dentre elas, uma pequena jóia rara, mais uma feliz coincidência: um delicado pássaro chamado de ‘Brilho de Fogo’, um beija-flor.

Por essa e por outras razões, que a nossa Escola percorre essa terra encantada. É esse brilho que nos encanta; é esse fogo que nos impulsiona e nos ilumina a imaginação, e faz com que um outro Beija-Flor, de Nilópolis, faça essa viagem fantástica ao ‘meio do mundo’, para revelar Macapá e o Amapá, o extremo ponto onde começa o Brasil, no mapa e em sua história real.

E assim, na fantasia que nos envolve e que enfeita essa trajetória, o samba vai contar, em poesia, a contramão de nossa história; viajando nessa linha imaginária que nos une, numa aventura surreal por mares e rios, muito antes navegados. Hoje a Beija-Flor, desbravadora, descobre mais um carnaval.
És a terra dos encantos, de uma viagem fantástica, iluminada de sol, que te faz “meio do mundo”, o coração do Amapá; que emerge como Marco Zero da linha que enlaça e nos leva ao redor do planeta, numa ciranda, feito uma dança que gira, que mexe até onde a imaginação alcança.

E nesse caleidoscópio mágico, o carnaval traz a história contra a história, onde o real e a fantasia se misturam. E nessa mescla, em forma de festa, canta “parabéns à você” nessa passarela, que hoje é o seu rio onde desfila Nilópolis, a sua floresta, que semeou e fez crescer; duas plantas que se fundiram: “Macapaba” e “Amapá”, criando uma raiz de amor que ao som do batuque “Marabaixo”, como ladrão rouba um verso e faz brotar seu universo, num poema escrito em samba, no coração da Beija-Flor.

SINOPSE:

Resplandece a noite da folia, como quem clareia, trazendo a luz que ilumina a alegria, a “Deusa” e seu manto azul do dia, radiante como o Sol que brilha, ‘Brilho de Fogo’, que nos aquece e incendeia, faiscante de esplendor.

Lança seu vôo, pássaro encantado! Nos conduz em suas asas; reluz seu sonho, Beija-Flor! Segue a trilha do horizonte, tece a imaginação, faz a sua viagem fantástica; leva o nosso coração, entrelaça a poesia na Linha do Equador; faz do canto, o contar dessa história, e do seu samba uma canção de amor.
Abra o ‘Portal da Amazônia’, rasga o céu, a ‘tenda da chuva’, que alimenta a infinda luta, das águas titãs a se enfrentar: Do mar que quer sempre ser rio, do rio que insiste em ser mar. Revela essa terra encantada, ‘Macapaba’ enraizada por seu nome de palmeira; bacaba, bacabeira; verde selva, “verde” aos olhos desconhecidos, “madura”, agora ao se mostrar por inteira.

Vem contar que és a face primeira, que os andarilhos do Oriente beijaram de amor ardente, na aurora da ‘Tribo Brasileira’, que por Ti se fez raiar. Modela em barro a sua história, por ‘Cunanís’, ‘Maracás’, ‘Aristés’ e ‘Aruãs’; resplandece do ocaso a civilização perdida, escava da terra o passado e dê vida, como ceramista que dá forma ao pó.

Traz à luz os seus segredos lendários, dos relatos de épocas distantes, que foste a terra do sol à pino, brilhante, que a Fenícia visitou, guardiã de tesouros escondidos, traços pela mata engolidos, mistério que o tempo apagou.

Faz lembrar que foste Brasil, no anteontem de Vera Cruz, a “terra à vista” por Vespúcio, a fúria de um rio que enfrentou Pinzón, a “Nova Andaluzia” de Orellana, presente que não herdou. Que vistes os ‘grandes olhos de cobiça’ de além, a ser tentada por tantos, portanto, ao tempo foste terra de ninguém.

Mostre assim, que a sua força está no chão, no ar, nas águas, na natureza; que és a grandiosa nação “Waíãpi”, que um dia viu na pele branca portuguesa, a reencarnação de “Ianejar” e que se permitiu erguer a fortaleza, em forma de “Mairi”, uma estrela, descida do céu de Tupã. E como mito que recria a vida, dela assim se fez crescer a vila de São José de Macapá.

Vem refletir a face escura, que um dia a selva conheceu, da caravana vinda de longe, das terras de areias brancas, que como semente ao vento, se lançou no ventre verde da sua mata e que em suas entranhas cresceu. Faz ressuscitar o que jaz na mente, a herança marroquina, presente, mourisca lembrança de Mazagão, que entre a cruz e a espada, o sangue da “Guerra Santa” fez respingar em seu chão.

Por tudo isso, és a terra mais morena, de toda a amazônica paisagem, és cabocla, és mistura, és miragem; africana no batuque do “Quilombo do Curiaú”; no tempero, és brasileira, terra de múltiplas cores, de cheiros, de sons, de sabores; acima de tudo és verde, és fértil, és promissora.

________________________________________
Alexandre Louzada – Fran-Sérgio –
Laíla & Ubiratan Silva
Comissão de Carnaval 2008